Lembro que chovia......



Lembro de que chovia
As águas dos meus sonhos se completam vagamente
Entre um intervalo e outro, folheio as paginas da alma
Buscando da penumbra, a complexidade dos sentimentos
    Sei que não estou sozinha, o silêncio se faz presente.

Um olhar na janela, vejo no reflexo a minha presença
Sábados de outonos os pingos pelo vidro descendo
Gotas da chuva escorrendo formam seus mantos
Tanta beleza perdeu-se com sua sua ausência o encanto
Afirmo a mim mesma, o tempo eterniza este instante

 


Retrados


Um dia destes vasculhando o coração
Fatos vivência pensei em meu irmão
Das noites enluaradas refletindo nossas sombras
E iluminando a estrada nas madrugadas longas


Caminhavamos  pequeninos feitos andarilhos
com o barulho das folhas o Ventos frio
Vultos nos pastos... pareciam imagens
Idas e vindas arvoredos as casas e a ventania
Amedrontada não entendia estas miragens

De mãos dadas pequenos e Sonolentos
Nossa mãe doente em prantos e andar lento
Tanto sofrer sua dor não tinha alento.........

Foram tempos rabiscados de carências
testando nosso afeto deixando rastrilhos ....
Envadindo os sentidos dedilhando pedências.

Meu universo perfeito




Meu universo era perfeito

Chegamos neste lugar junto a um caminhão de toras
Uma velha casa de madeira rodeada de varandas
Sol calor quintais sem cercas e rodas de cirandas
Muito capim arvores rasas e vários pés de amoras

Um universo perfeito para o olhar de menina
Menina criança todo tempo criatividade aflora
Só terra mato riacho pedra muito espaço lá fora
Me enchia de feitos nem frio nem fome tinha

Bonecas de sabuco de milho sapatos de palhas
Passeios na vendinha e visitas as minhas tias.
Chuta lata perna de pau outras tralhas.
Daquele tempo sinto hoje sua beleza e magia

Por lá ficamos algum tempo até meu pai se ajeitar
Atenta... olhava minha tia por a lenha no fogão
Na volta da escola café da tarde leite farinha e pinhão
Idos tempos dourados que se foram agora só recordar




Com olhar de menina

Com o olhar de Menina 

Transpondo abismos, com a vida aprendi a lidar
Olhando lá atrás... com o olhar de menina
Na intenção de vasculhar minhas lembranças
Encontrei historias, que passaram a me encantar

Como quintais de tangerinas em dias ensolarados
No meu lindo vestido, verde claro brilhante
Tao belo como favos de abelhas bordados
sendo o único com o tempo corroído ficou rasgado 

Nas lembranças mergulho e trago antes que se vão
Pedaços de nossas vidas memorias afeto emoções
palavras escondidas e nunca ditas  para encontrar 
As historias que moram no coração 


                                                                                                                Aut. Maria Sidral Del Moro

Memórias

O maior desafio da vida é ter coragem e isto ela teve de sobra
Ficou orfã quando nasceu e cresceu entre pessoas estranhas
Para se manter viva  teve que se refugiar dentro da própria alma
Se agarrou a vida, como um folha verde num galho seco,
Ainda assim resistinto a tempestade e a calma
Casou aos trezes anos, teve seus nove filhos
Numa emoção nua e crua conduziu as rédeas da sua história
Lembro, pequenina quando partimos em cima de um caminhão de toras
Rumo ao desconhecido, meros caminhantes, buscando a glória

Ela ansiava por outros mundos, vivia no limite do nenhum
Traçou sua rota, sempre em linhas claras
E vendo seus filhos vivendo de migalhas raras
Como parte da caminhada soltou suas amarras.
Encontrou caminhos adversos, mas cumpriu sua jornada.

Mulher de alma forte, determinada, ora  boa ora má.
Leva-me a olhar meu proprio coração e me dar conta do instante
Hoje, na ausência da sua vida, lembranças me foram sofridas
Talvez eu nunca volte a estes lugares, mas ficarâo na minha lembrança



O Pacto



Pai Querido

Lembrando o que minha alma já viveu ... o passado tem formas, espaços e tempo,que estão em nossas vidas como bagagens irrecusável.
O passado está marcado em mim como tatuagem, meu consolo é saber, que aquele era meu mundo. Visivel, palpável e real.
Nos achados da minha infância, lembro com ternura que era muito apegada ao meu pai, talvez por ser a mais velhas dos meu oitos irmãos.  Minha infância foi sofrida e vida do meu pai, mais sofrida ainda.
Meu pai conseguiu  rabiscar seu nome, eu tinha sete anos, quando fui pra escola aprender e passar a ele meus conhecimento do alfabeto, era uma oportunidade sonhada por ele, escrever seu nome.

Lembro do meu pai trabalhando noite e dia, sábados e domingos, lutando pra nos criar sem tempo pra descançar. Eu, em minha inocência, achava que aquele heroi valente, não iria envelhecer nunca.
O tempo foi passando e a doença chegando sua energia acabando, calado não reclamava de nada.
Seu olhar vago denunciava em seu semblante triste todo o sofrimento.

Na minha juventude ainda em devaneios,  sinto que não fiz o bastante, poderia ter sido mais afetuosa, menos sonhadora, mais realista, lidar melhor com as frustraçoes e os desencantos da vida ... Ah ! seu eu pudesse recusar estas lembranças e voltar, pederia mil perdões para meu querido pai.
Quando jovem fui muito intensa, inquieta, temperamental, não herdei o DNA dele, que era uma pessoa bondosa, generosa, de uma simplicidade única.
Hoje percebo com mais clareza a grandiosidade de sua alma.

Porém.buscar o passado nem sempre significa, ir buscar lágrimas sentidas e passagens obscuras curtidas...  nem tudo foi drama regado a lágrimas. Lembro de momentos de puro encantamento que estão registrados em lembranças vividas com meu pai. Meu primeiro guarda-chuva com florzinhas rosa aos seis anos. Meu primeiro emprego aos quatorze anos. O primeiro filme, ( Cine \Moka quando ainda existia) nos meus quinze anos.  Minha primeira bicicleta aos dezenove anos. Meu primeiro namorado sério (Vadico) e minhas tardes dançantes aos domingos.

Nas águas do passado, o fascínio e o sofrimento de toda a vivência o que ficou lá atrás me fortaleze.
Afinal o futuro me esperava com explosões de sentimentos mais apurados.
Obrigado pai por ter contribuído com meu lado bom, com minha força e por minha vida. 

 Aut Maria Sidral Del Moro em tributo a Domingos Sidral

Um jardim doce


Jardim Doce....

Eu queria um jardim doce
De belas flores do campo
Espalham beleza com se nada fosse.
Lindas, solitárias e prediletas
Nascem sem pedir licença....
Não se importando com a ausência..
.Apenas colorindo quietas.

Eu queria um quintal de jasmim
Com muitas flores no caminho
Da minha antiga casa do morro
E da minha bicicleta carmim
Quando lembro quase caio no choro

aut: Maria Sidral Del Moro

Poeiras do tempo


 Ah! quanto tempo passou.
Foram à muitos anos atras
Pelo imenso labirinto do tempo
Ainda sinto o aroma o som e o momento
O cheiro de todos os elementos
Me transporto e sinto o frio e o vento
Brotam  lembranças como flores em jardim
Raros momento marcados no coração
Verdadeiras histórias esculpidas em mim 
O morro o coqueiro e a paisagem a declinar
Meus pensamentos em tufões
Me transporto e sinto o vento passar

Aquele lugar com o tempo virou ribanceira
Sem mato sem bicicleta  só a terra mexida
Cadê o morro e suas goiabeiras
Meus amigos e as brincadeiras
Ficaram na memória como poeiras perdidas.

O resgate

                          O resgate   

Casa de madeira quintais e trepadeiras
Trabalhos domésticos, brincadeiras.
Amiguinhas lições de casa
Água do poço, roupas lavadas.
E meus sonhos de menina

Aos domingos almoço na tia Nina
Ruas áridas de macadames  
jabuticabeiras pitanga caldo de cana 
Forno a lenha pão caseiro com inhame 
E meus sonhos de menina 

Meu pai, a venda, caderneta a vizinha.
A fábrica o trabalho, o romance.
As sobremesas de natal
O parque e as festas juninas
E meus sonhos de menina